Hit dance ·rabe Fata Morgana volta ýs paradas brasileiras
Capa do novo CD do grupo, Instinctive Traveler

Sábado, 03 de junho de 2000, 19h07min
Poucos sabem a curiosa histÛria por tr·s da m™sica Fata Morgana, sucesso musical com toques ·rabes que fez parte da trilha da novela Sassaricando, com Cl·udia Raia no elenco. O dance-·rabe vendeu mais de 400 mil cÛpias no paÌs e agora, com a onda "Khaled", volta a aparecer nas paradas de sucesso. O grupo dono do hit chama-se Dissidenten ñ que poucos conhecem ou se lembram. Mas o motivo È simples.

O grupo nasceu em Berlim, em 1980, e È uma espÈcie de banda intinerante, nÙmade. Faz pequisa musical sÈria pelo mundo inteiro e j· se hospedou em pal·cios indianos e africanos. Em 1985, meio que sem querer, o grupo lanÁou a m™sica Fata Morgana, que se tornou um hit com tempero ·rabe nas pistas de danÁa ñ isso muito antes de ser moda no mundo.

A explicaÁ“o para a m™sica chegar no Brasil foi inusitada, como explicou o m™sico e produtor do grupo Dissidenten, Marlon Klein: "DistribuÌamos nosso trabalho de forma indenpendente, com uma pequena produtora. Os tempos eram outros, n“o sabÌamos o que acontecia do outro lado do mundo", lembra Marlon. "O problema È que essa produtora negociou nossa m™sica com a Globo, que a incluiu na novela, sem nos informar. Pouco depois, essa produtora faliu e n“o vimos a cor do dinheiro".

Produtora falida

Anos depois, com a chegada da Internet, as informaÁžes passaram a correr aceleradamente pelo mundo ñ Marlon, em constante viagem pelos continentes, viaja sempre com seu mac laptop, acessando os sites de busca ý procura de informaÁžes sobre o Dissidenten. "Sempre tem coisa nova", diz, vasculhando o site Lycos e lamentando n“o encontrar nenhuma informaÁ“o em sites de busca brasileiros. A onda "sete-vÈus", com nomes como Khaled e Tarkan, agora volta ýs paradas mundiais ñ e por tabela, resgataram Fata Morgana, parte da colet’nea Arabian Hits.

"Dessa vez estamos atentos. J· sentei com o pessoal da gravadora, que tinha utilizado o fonograma do antigo acordo com a produtora falida, e acertamos tudo", afirma Marlon, que est· envolvido em outros projetos bem diferentes do antigo hit da dÈcada de 80, como o novo CD, Instinctive Traveler, e uma colaboraÁ“o com orquestras sinfÙnicas alem“s.

O m™sico, cujo instrumento principal È a bateria, se parece com o que o tÌtulo do novo trabalho sugere, um "viajante instintivo". Simp·tico, com um humor que talvez se possa chamar de alem“o-com-estrada, aparenta ter aquele jogo-de-cintura tÌpico de quem j· conheceu e conviveu com v·rias culturas. AlÈm de produzir os trabalhos do Dissidenten, faz parte de outras dois grupos, sendo um africano.

InfluÍncia americana na m™sica alem“

A m™sica do Dissidenten, apesar de no momento estar sendo ligada ý Khaled, tem uma uma cultura de background sÈria ñ n“o È dance music com roupagens comerciais Ètnicas. Tem elementos ocidentais como samplers e loopings de bateria, mas traz m™sicos "regionais" executando instrumentos reais, sem a habitual colagem da world music picareta. "Depois da guerra, a Alemanha foi totalmente tomada pela cultura norte-americana. A ™nica forma de fazer algo que fugisse do tema era partindo para a clandestinidade, a distribuiÁ“o independente", conta Marlon, de bonÈ de pescador, cabelos cumpridos desalinhados e mala de estudante nas costas.

A idÈia do grupo agora È voltar ao Brasil em outubro para uma possÌvel sÈrie de shows. Dois trabalhos do Dissidenten j· est“o no mercado, distribuÌdos pela MCD, selo preocupado em lanÁar a chamada m™sica Ètnica: The Best of Dissidenten in Arabia e o novo trabalho, Instinctive Traveler. Antes de confirmar o seu vÙo para a ¡frica (ficou esperando no telefone cerca de 20 minutos para lhe atenderem), comentou seu espanto ao dezenas de pessoas trabalhando em frente a um computador ñ mesmo sendo h· muito tempo um fan·tico por tecnologia. Tirou uma foto do cen·rio e prometeu colocar em seu site, www.dissidenten.com.
 

Ricardo Deli Ivanov / RedaÁ“o Terra